Grupo Corpo - Obras - Missa do Orfanato
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coreografia: Rodrigo Pederneiras

música: Wolfgang Amadeus Mozart

cenografia: Fernando Velloso

figurino: Freusa Zechmeister

iluminação: Paulo Pederneiras

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coreografia: Rodrigo Pederneiras

música: Wolfgang Amadeus Mozart

cenografia: Fernando Velloso

figurino: Freusa Zechmeister

iluminação: Paulo Pederneiras

Criada a partir da missa solene composta e regida por ocasião da consagração da Igreja do Orfanato, na Viena de 1768, por um Mozart que não contava ainda os treze anos completos, a Missa do Orfanato, de 1989, inscreve-se entre as obras máximas do Grupo Corpo. Estabelecendo já os primeiros códigos de uma escritura coreográfica que iria atingir sua maturidade três anos depois com 21, um divisor de águas na trajetória da companhia, Rodrigo Pederneiras transforma seu corpo de baile em uma massa de desvalidos que, na contramão do que prega o ordinário da missa católica, retrata antes a tragédia e a miséria da condição humana que o anseio de glorificação do Divino. Em estado de contrição permanente, os corpos dos bailarinos ritualizam o desamparo, o temor, o afligimento e a solidão inerentes à natureza inapelavelmente terrena e transitória da espécie humana. Na busca incessante de verticalidade, seus gestos convulsos soam como brados de misericórdia.

Em tons terrosos e cinzas, o cenário de Fernando Velloso remete à face externa de uma catedral degradada pelo tempo, mas cuja imponência persiste em reduzir-se à sua mundana e diminuta dimensão, à procissão de desesperados que perambula pelo palco seu clamor por redenção. Freusa Zechmeister lança mão de roupas cotidianas em seda e linho crus, envelhecidas e tingidas em paletas de cinza e terra, para vestir os bailarinos como um aglomerado imemorial de peregrinos. Com múltiplas gradações de amarelo e branco e fumaça cenográfica, Paulo Pederneiras envolve a cena em uma veladura que recria a luminosidade e a atmosfera típicas dos ofícios religiosos.

E, se na Missa do Corpo é o calvário do Homem que se presentifica, a comunhão com o Divino, a redenção – tanto para quem está no palco quanto para os que se encontram na plateia – se dá através da Arte: a praticada pelo grupo mineiro e a que emana da impressionante partitura sacra de um Mozart menino.

missa do orfanato    1989
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