O romantismo rasgado das canções de Ernesto Lecuona (1895-1963), que havia capturado o coração bailarino do coreógrafo Rodrigo Pederneiras nos anos 1980, tornou-se em 2004 um dos balés do Grupo Corpo mais adorados pelo público. Quebrando momentaneamente a regra estabelecida em 1992, a de só trabalhar com trilhas especialmente compostas, Rodrigo costurou o balé que leva o nome do compositor cubano.
O resultado foi uma vertiginosa sequência de 33 minutos de pas-de-deux e uma única formação de grupo: onze canções de amor e uma valsa do célebre autor de Siboney.
Cada casal de protagonistas tem a sua própria cor: os figurinos femininos são intensa e poderosamente românticos, com as moças de salto alto e vestidos vaporosos, com fendas e decotes. Os rapazes envergam sapatos de verniz, camisas e camisetas e calças sociais. A iluminação de Paulo Pederneiras delimita o espaço cênico em cubos luminosos monocromáticos, que se deslocam na caixa-preta acompanhando o par romântico da vez.
Nos poucos mais de dois minutos da valsa final, paredes de espelhos cercam a cena; seis pares de bailarinos (elas, agora, portando longos vestidos brancos de tule) multiplicam-se no jogo de espelhos, transformando o número de encerramento em um grande e luminoso baile.